O MENINO E O PANGARÉ
Era verão. Turistas interioranos desceram a serra em direção ao litoral, mais precisamente, Marataízes, balneário espírito-santense. Lá chegando, hospedaram-se em uma pequena pousada à beira-mar. Na manhã seguinte, passaram a curtir a praia ainda paradisíaca. Alguns farofeiros de carteirinha consumiam milhos cozidos, picolés, churrasquinhos com farinha e cerveja, dentre outras guloseimas. À tarde, em família, depois da soneca, dos roncos e dos peidos, saíram para passear no calçadão.
Na areia da praia, com suas ondas frenéticas, no ir e vir sem fim, havia um rapazinho magrelo de pele morena queimada pela maresia, conduzindo um pangaré para alugar na monta. Como não poderia deixar de ser, sem muita resistência dos pais, o filho de três anos pedia insistentemente pela cavalgada. O maratimba, esperto e doido para faturar um dindinho, percebeu a ansiedade do garotinho e se prontificou de imediato. Logo em seguida, colocou o pequeno cavaleiro na sela carcomida pelo tempo sobre o dorso do cansado corcel, entre as brumas mansas e a margem da praia. Nesse compasso, lento e tranquilo, seguia o condutor com o cabresto de cordas em suas mãos suadas, já acostumado à jornada vespertina da temporada.
De repente, em sentido contrário, dois cavalos bem arriados com seus cavaleiros, quase em disputa de páreo, passaram em velocidade, assustando o velho pangaré, que partiu em disparada, se desvencilhando das mãos calejadas do escaldado molecote. O menino, que se encontrava sobre a sela, se chacoalhava de um lado para o outro, segurando na cabeça do arreio. Que desespero! O pai, ao perceber o ocorrido, saiu correndo em direção ao trio. Quando os alcançou, o arranque do pangaré, com a boca espumada, já havia diminuído o trote e o condutor já dominava seu meio de vida. Quanto ao infante, este se encontrava glamouroso com os elogios do pai.
Ufa!
--------------------
Salatiel Barbosa

Comentários
Postar um comentário