O MENINO E O PANGARÉ
Era verão. Turistas interioranos desceram a serra em direção ao litoral, mais precisamente, Marataízes, balneário espírito-santense. Lá chegando, hospedaram-se em uma pequena pousada à beira-mar. Na manhã seguinte, passaram a curtir a praia ainda paradisíaca. Alguns farofeiros de carteirinha consumiam milhos cozidos, picolés, churrasquinhos com farinha e cerveja, dentre outras guloseimas. À tarde, em família, depois da soneca, dos roncos e dos peidos, saíram para passear no calçadão. Na areia da praia, com suas ondas frenéticas, no ir e vir sem fim, havia um rapazinho magrelo de pele morena queimada pela maresia, conduzindo um pangaré para alugar na monta. Como não poderia deixar de ser, sem muita resistência dos pais, o filho de três anos pedia insistentemente pela cavalgada. O maratimba, esperto e doido para faturar um dindinho, percebeu a ansiedade do garotinho e se prontificou de imediato. Logo em seguida, colocou o pequeno cavaleiro na sela carcomida pelo tempo sobre o dorso...