LUGAREJO
Foi nesse pequeno lugarejo, que nem distrito era, que nasci. O transporte, na maioria das vezes, se fazia de carroça ou no carro de boi. A exceção só acontecia quando aparecia um caminhão para levar o café colhido, ou para fazer a mudança de algum colono para a cidade. A casa dos meus pais não era diferente das outras. Casa simples de agricultor. Portas e janelas lavradas a machado. Telhas e paredes em péssima conservação, pintadas a cal num branco já envelhecido pelo tempo. Os cômodos eram poucos. Os móveis, rústicos, feitos à mão: camas pequenas, mesas pequenas e armários sem portas. Na cozinha, um fogão à lenha, todo rebocado com barro branco, vulgo caulim.Na varanda, debruçada sobre o riacho, um banco de madeira. Os nós dos galhos ainda marcados no tampo, solitário, à espera de um novo momento de prosa e muita conversa fiada. No quintal, patos, gansos... e a minha galinha de pescoço pelado. Toda orgulhosa, rodeada de pintinhos iguais a ela. Nem um fiapo de penugem. Só pele pura.
Ah! Que saudade!!!
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Salatiel Barbosa
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